Estudantes celíacos de Curitiba recebem merenda diferenciada

A Risotolândia, uma das empresas responsáveis pela alimentação dos alunos da rede pública, tem uma cozinha isolada para preparar as refeições de alunos com restrições alimentares 

A cada 600 brasileiros, um é portador da doença celíaca. Os dados são da Acelbra - Associação de Celíacos do Brasil. A doença é uma reação imunológica ao glúten que causa inflamações graves no intestino, podendo levar à desnutrição por má absorção de nutrientes. Ela é incurável e seu único tratamento é eliminar o glúten da dieta. Este é um ingrediente encontrado principalmente na cevada, trigo, aveia e centeio, alimentos que fazem parte da dieta básica diária da maioria dos brasileiros e que são encontrados em abundância nas refeições consumidas fora de casa, como nos fast foods, por exemplo.

E, se para um adulto que entende suas restrições alimentares, já é difícil encontrar opções que não comprometam sua saúde, às crianças esta tarefa fica ainda mais difícil. Priorizando sempre a segurança alimentar, a Risotolândia Serviços Inteligentes de Alimentação – empresa líder no segmento de refeições coletivas no Sul do Brasil – atende diariamente 450 mil crianças no PR e em SC, com cardápios que seguem os critérios do PNAE – Programação Nacional de Alimentação Escolar. Em Curitiba, a empresa realiza todos os dias mais de 145 mil atendimentos e, cerca de 830 deles, são feitos para crianças que precisam de alimentação diferenciada. Estas refeições são produzidas diariamente numa cozinha e, segundo a empresa, são mais de 315 cardápios diferenciados apenas para os alunos curitibanos. 

Elaborados pelas nutricionistas da Secretaria de Educação de Curitiba, em parceria com a equipe técnica da Risotolândia, estes cardápios especiais atendem alunos intolerantes à lactose, alérgicos à proteína do leite de vaca, diabéticos e muitas outras patologias. Todas as dietas seguem orientações médicas, que devem ser enviadas pelos pais e registradas pela Secretaria de Educação da cidade. “O mais interessante é que estas dietas são muito semelhantes às dos demais alunos. Na maioria das vezes, servimos a mesma receita, mas com ingredientes alternativos, evitando que as crianças se sintam deslocadas”, explica Emily Reda, nutricionista responsável pelo planejamento de dietas da Risotolândia. 

Glúten: o vilão

O glúten é uma substância altamente contaminante, o que torna as opções de alimentos mais restritas e o cuidado ainda mais fundamental em todo o processo. Por isso, as crianças portadoras da doença celíaca recebem ainda mais cuidado na preparação. Suas dietas são feitas na cozinha de Dietas Severas, um braço da Cozinha Especial. “Todos os alimentos destinados às dietas celíacas são cuidadosamente selecionados, os fornecedores são visitados e auditados por nosso setor de qualidade, para garantirmos a procedência dos ingredientes, afinal, um grama de farinha no ar pode ser altamente prejudicial”, alerta Thais Felix, nutricionista responsável pela produção das dietas. 

Buscando fornecer mais que apenas alimentação, mas sim saúde e qualidade de vida, a empresa preza pela qualidade da equipe técnica responsável pela preparação destes alimentos. “Além de termos uma funcionária exclusiva para as dietas severas há 25 anos, realizamos constantes treinamentos com a equipe geral, para que todos sejam muito bem capacitados e orientados quanto à importância da dieta para uma criança celíaca, focando na importância da separação de ambiente, utensílios e produtos”, destaca Thais. Através desses cuidados, as crianças podem levar uma vida adaptada e muito saudável, o que contribui diretamente no bom rendimento escolar e desenvolvimento infantil.

Como diagnosticar?

Para quem sofre da doença, o menor contato com o glúten pode levar a sérios sintomas gastrointestinais como irritabilidade, diarreia crônica, vômitos, dor abdominal, constipação crônica, entre outros. O diagnóstico é feito em duas etapas: primeiro, exames de sangue podem detectar a presença dos genes HLA-DQ2 e do HLA-DQ8, que indicam a presença da doença autoimune, além de anticorpos contra as proteínas do glúten. Para confirmar a suspeita, o médico pode pedir uma biópsia do tecido, checando se há danos nas vilosidades intestinais.